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LAÇOS DE TERNURA
SEJAM BEM-VINDOS AO LAÇOS DE TERNURA.
PORQUE FILHOS SÃO LAÇOS DE TERNURA, BIOLÓGICOS OU NÃO!!
LARISSA
Significado: cheia de alegria
13/12/2000
Chegou em 26/01/2001, 44 dias depois do nascimento.
Minha filhota serelep, elétrica, inteligente, linda, cheia de alegria, como seu nome!
Meu pudinzinho, doce, caramelada, um sonho.
Está no final do 1º período, quase cinco anos.
NICOLAS
Significado: vencedor do povo
30/06/2005
Gravidez espontânea, natural, depois de termos desistido.
Meu filhote doce, tranqüilo, bem humorado, vencedor (ele e nós), como seu próprio nome!
Meu bolinho, gorduchinho, doce, fofo, uma realização.
Nome: Níblia
Idade: 29
Profissão: Pedagoga com especialização em Psicanálise com Criança e Adolescente pela PUC-MG.
Estado: Minas Gerais
Marido: Marcus
Filhotes: Larissa e Nicolas
O que mais amo:meu marido, meus filhos, minha mãe, minha família (irmã, sobrinhos), cinema, viajar, dormir, estudar psicanálise...
NOSSA HISTÓRIA:
Estamos juntos a dez anos. Há seis desejávamos um filho, que nunca vinha.
Começamos a luta pela medicina, que muitos conhecem. Três inseminações artificiais,
medicamentos, choros, um vazio do tamanho do mundo! Todas as mulheres da
família engravidando, todos com seus pimpolhos nos braços, enquanto nós continuávamos
a nossa busca.
Enquanto fazíamos uma tentativa de inseminação, nos inscrevemos num
programa de adoção (que todos os estados deveriam ter) chamado "Pais de Plantão".
E novamente o sofrimento da espera, LONGA espera. Até que, numa tarde de
6ª feira, 26 de janeiro de 2001, o telefone toca no trabalho do Marcus( um ano e
quatro meses de fila) nos dando a melhor notícia das nossas vidas!!!!
O Marcus viu nossa Larissa antes de mim. Quando cheguei, achando
que era um menino, Nicolas, ele disse que era Larissa. O Nicolas ainda teria
que esperar para vir. Eu chorava, não acreditava que ela estava ali e que
iria embora conosco, para ocupar seu lugar tão esperado em nossas vidas...
Uma menina, cheia de cor-de-rosa... assim ficaram nossos dias. Essa 6ª feira
foi o dia mais feliz, mais intenso, mais especial que já tínhamos vivido!
Larissa chegou com 44 dias, prematura de 7 meses, com algumas fragilidades,
mas já era a menina mais linda do mundo. Detalhe: nossa inscrição era
para criança de 0 a 4 anos, menino ou menina!! Recebemos então, surpresos, nossa
garotinha, praticamente recém-nascida!! Meu amor por ela foi instantâneo.
Por um bom tempo eu não deixava ninguém cuidar dela, fiquei uma leoa. Emagreci
7 quilos. Não sentia necessidade de comer. A Larissa preenchia tudo em mim.
A felicidade era tanta...!!! Não conseguia dormir, pois ela mamava de 2 em
2 horas. Foi um tempo muito intenso mesmo. Ela foi crescendo, acolhida por
toda a família com um amor que nem nós esperávamos que tivessem. Hoje vocês
podem acompanhar como ela está pelo blog: linda, maravilhosa, inteligente,
amorosa, alegre, espontânea, amada, muito amada!!
Então resolvemos ter outro filho há mais ou menos um ano e meio,
em meados de 2003. Todo o sofrimento recomeçou. Outra tentativa de inseminação
frustrada. Outra tentativa de adoção. Quantas lágrimas, quantas dúvidas...
Até que, em 16 de novembro de 2004, descobrimos que eu estou grávida, naturalmente,
quando já havíamos desistido de uma gravidez, encerrado o assunto. Grávida...
de um menino, Nicolas, que era um nome escolhido há muito
tempo. Nossa família, enfim, se completa. Somos pais pelo desejo, temos uma
filha linda que chegou por outros caminhos e agora a experiência da gestação,
de um menino que já é muito amado. Larissa terá seu irmão, para brincar, brigar,
crescer junto, dar as mãos pela vida a fora!.
A visão e os sentimentos do pai:
"26 de janeiro de 2001:
Como são quentes os dias de janeiro !
É isso que se pensa no hemisfério sul, especificamente em Belo Horizonte numa manhã
de janeiro. Mas mesmo assim temos que encarar o trabalho: ah, que rotina estressante
! Sexta-feira, janeiro, verão, calor imenso em Belo Horizonte. E vamos nós para o
trabalho: ligar computador, retirar saldos, extratos e conciliá-los: que dureza !
Mas, tiramos isso de letra, fizemos alguns e cheques e... Hora do almoço.
Depois disso, trabalho de novo. Ah, uma lembrança: a esposa está fazendo compras para
o bebê (mas nós não temos bebê ?!), quem sabe ele(a) não chega (mas ela também não
estava grávida). Nosso problema de infertilidade em tenra idade (eu na época com 28,
ela com 24) nos colocou diante de um dilema: ou adotávamos, ou deveríamos seguir o
curso das inseminações artificiais/ in vitro, que não haviam funcionado em nós.
O caminho da adoção foi o mais indicado. A ciência falhara e a natureza também, mas
o Juizado da Infância em Belo Horizonte não. Eu e minha esposa nos inscrevemos em um
programa inovador de adoção, o "pais de plantão", onde a criança não aguarda muito
tempo por uma família substituta, porém, após os trâmites legais (reuniões, visitas
de assistentes, documentação) ficamos sabendo que poderíamos aguardar três anos por
uma menina e até dois por um menino, mas de repente, tocou o telefone...
"Marcus, fulana de tal do juizado da infância. Pode passar ?"
Pode, respondi. Imaginei se tratar de alguma informação ou visita, mas a assistente
social disse-me o seguinte:
-Temos uma criança aqui, é uma menina. Vocês desejam vê-la ?
-Claro que sim. Respondi. - mas não chamem mais ninguém, eu já estou indo aí. Em 10
minutos eu chego.
Daí em diante foi uma correria danada. Trabalhava a 10 minutos (a pé) do Juizado,
mas corria assim mesmo. Tentava falar com Níblia mas nunca a encontrava, deixei
recado na escola que ela trabalhava e na casa da minha mãe, agora era esperar.
Chegando no juizado subi correndo para o último andar, o famoso setor de família
substituta, onde minha futura amada filha já estava me esperando.
A assistente social me atendeu e explicou o caso da menina, que havia sido abandonada
no hospital pela biológica. Ela me perguntou se eu desejava ver a menina, e eu
curiosamente tive pudores e quis vê-la junto com a mãe, mas depois não resisti e
fui ver o bebê e era...
uma menina lindinha, miudinha, muito miudinha, 2.030 kg, branquinha de bochechas
rosa
das, que teve como primeira reação perto de mim um bocejo, um abrir bocas que
parecia querer engolir o mundo.
Dali a pouco uma importante pergunta:
-Já tem um nome para ela?
-Sim.
-É só para a guarda, se quiser depois pode mudar.
Alguns centésimos de segundos depois, a resposta:
-Larissa, o nome dela é Larissa.
Sabíamos que o significado do nome é "cheia de alegria", mas o nome anteriormente
escolhido era Yasmin, por razões que eu até hoje eu não soube explicar, o único
nome que me veio foi o dela, larissa.
Faltava a mãe chegar, e de repente...
Entra aquela mulher em prantos falando de um tal Nicolas (imaginávamos que seria
um menino, pelo tempo de espera na fila de adoção), e eu respondi:
-Nicolas não ! É Larissa, uma menina.
Um caso de parto em que o pai fora da sala de parto diz a mãe o sexo do bebê.
Faltava ainda assinar alguns papéis e sair com a guarda provisória da criança.
Adoção imediata, sentimento de família despertando com velocidade. Éramos três
de repente, um quarto de bebê para montar e muito o que comemorar..."
Hoje, estou longe dos escritórios e das conciliações bancárias. Sou professor
de História de um grande colégio de Belo Horizonte. Larissa tem 4 anos de idade,
é uma linda menina, viva, inteligente e amorosa (já até estrelou uma campanha
publicitária aqui em BH). Sabe que é adotada desde os primeiros dias de vida,
pois em nenhum momento cogitamos de esconder-lhe a verdade. Curiosamente obtivemos
a graça de uma gravidez, inesperada e espontânea, o tal do Nicolas agora está para
chegar mesmo. Os caminhos da vida são estranhos, diz o ditado "certo em linhas
tortas". Hoje não concebemos nossa vida sem a pequena Larissa, os meandros da
adoção podem ser demorados e tortuosos, mas a satisfação de uma paternidade,
essa é inenarrável.
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